terça-feira, 24 de setembro de 2013

Um Cavaleiro Invencível

Era uma vez um cavaleiro que não o sabia ser.
Um cavaleiro cheio de receios do mundo.
Um cavaleiro para "inglês ver".

Com medo de moinhos de vento,
De montes alados,
Receando vida sem tento,
O presente, os futuros, os passados.

Mas perdeu o seu cavalo.
Pôs os pés no chão
A vida deu-lhe um estalo,
Deixou-o numa estrada em contra-mão.

E sucumbiu.
Partiu.
Subjugou-se às chuvas do Inverno,
Chegou a cheirar o inferno,
Mas renasceu.
Tomou o lugar que era seu.

Descomungou-se da lama,
Olhou a chuva e o Sol de frente.
Reconheceu o quê e quem ama.
Com uma serra a passar-lhe rente.

Registou-se como cavaleiro,
No registo do seu saber,
Cravou o coração no inteiro
futuro sabendo desconhecer.

Sem cavalo e com os pés no chão,
Sabe que a lama não mais o matará.
Que no futuro não tem mão,
Sendo ele quem o criará.

Um cavaleiro é-o de verdade,
Guerreiro invencível,
Procura vencer a tenacidade
Do que sentira impossível.

Guerreiro invencível,
Não porque sempre vença,
Mas porque enfrenta o temível,
Sabendo que a vida não morre para quem pensa.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Ninguém te Mandou Cortar a Minha Calma

Tens a tarefa incontestável de me provocar.
Apontas-te a mim,
Tens a tarefa ingrata de me encontrar.
Nisto é assim.

Ninguém te mandou cortar a minha calma,
Nem a minha pausada vida linear.
Ninguém te mandou entrar na minha alma,
Nem nos meus sonhos a recriar.

Descobrirás que sou mais do que isto.
Descobrirei que és aquilo que preciso.
Saberás que sou um misto.
Saberei que és meta de ciso.

Já conhecemos esta ciência oculta,
É um tornado horizontal.
Que nos leva não sei bem onde,
Perdendo forma adulta,
Sem bem, nem mal.

Espreitei o decote,
Provei os lábios,
Entrei na dança,
Demos o mote,
Seremos sábios,
Vida que não cansa.

E tudo acaba bem,
Só que nada acaba.

Seremos mais e melhores.
Um complexo inundar de ser,
Do teu inteiro universo de cores,
Tornas-me imortal, sem querer!

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Sou um Dado Viciado

Sou um dado viciado,
Seguindo caminhos desconhecidos.
Preferindo o danado,
Vincando sapatos, rasgando tecidos.

Sou um dado viciado,
Alternando dimensões,
Escolhendo arriscado,
Abordando temas, experiências, situações.

E todas as vias me levam a mim,
Nada me muda,
Um dado viciado, sou assim.

Nem o mundo que vemos diferente,
Nem a escolha, o corte tangente,
Te torna diferente.

Avancei cortando,
Num périplo de transformação,
Agora pensando,
Sou a mesma criação...

Por onde andemos vem lastro,
Ninguém o saberá existir,
Somente sendo um astro,
Somente quem o faça sumir.

Mas não me julguem engraçado,
Que por isso vazio,
Sou um dado viciado,
Meu próprio desvario.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Nem Desse Vosso Mundo Convexo

Por partes, seguirei.
Sou governado pela minha imperfeição.
Cometendo o mesmo erro, eu sei.

Um erro que me incomoda,
Num acto da razão absoluta,
Meu dizer é moda,
Uma teimosia puta.

Mas paremos para reflectir:
Não é o erro passado,
Do amigo cansado de corrigir,
Que nos dá alvará redobrado,
Para respeitar ou dormir,
Para o certo ou o errado.

Daqui segue-se em aviso merecido:
De modo algum servirei mais indiferenças,
Se se emprenha pelo ouvido.

Pois em consciência se encontra a razão:
De que o prazer se torna vício,
Quando largamos o respeito e a situação,
Por esse mero artificio.

Vulgar nos tornamos,
Quando o real deixamos,
Para nos embebedarmos,
Para nos ausentarmos.

Criaram esta relação em anexo.
Como se não sendo central,
Nem desse vosso mundo convexo,
Pudessem largar sem racional.

Eis a novidade:
Deixa de ser funcional.
Mesmo sem maldade forçada,
A indiferença mostrada, passa a ser meu racional.  

domingo, 11 de agosto de 2013

Terá de dar outras voltas


Já não és o inconsciente de outrora, 
O incontinente verbal, 
O triturador de falhas que chora. 

És um crítico intelectual 
Do teu próprio espaço. 
Um espectador magistral
De tudo aquilo que faço. 

Continuas a ter a noção, 
De que o tempo chega depois
Do toque da sua mão. 

Continuas a saber 
Que chegas antes do acontecer. 
Continuas a saber 
Quando deves fazer por merecer. 

Mas outrora foste ensinado, 
Que o mundo sentido assusta. 
Que é errado, 
Mais que custa. 

Portanto, 
Aquilo que é não pode parecer ser. 
Aquilo que nasce, não deve aparecer. 
Aquilo em que te soltas, 
Terá de dar outras voltas. 

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Até que ponto estaremos certos quanto ao amor ter um fim?



Tenho vivido a minha vida entre duas tendências: "O amor tem um prazo de validade" e o "O amor acabará se nós quisermos".
Não será legítimo pensar que nem tudo é como o pragmatismo humano conta?
Vou por partes:
O amor tem um prazo de validade? Há dias em que penso que sim. Que o amor vive até ao dia em que acaba. E desse dia em diante, estaremos a adiar o inevitável, a viver numa habituação e no costume.

Mas existem outros dias em que questiono esta mesma ideia de validade. Será que todas as relações nascidas de amor, têm apenas o fim do mesmo no tempo em que o quisermos oferecer?
Não estará a mente a pregar-nos uma partida?

Desde que nascemos, vemos à nossa volta um mundo em que o amor tem um fim. A altura do "não dá mais". A altura do "infelizmente já não é a mesma coisa", "espero que sejas feliz mas a nossa relação já não tem mais nada para dar".
Em Psicologia, é nos apontado o mundo em que nascemos e as experiências que vivemos como a origem da nossa Pessoa.
Será que a envolvência em que vivemos, não nos formata a cabeça para tal escolha na nossa vida amorosa?

Certo será que existem relações impossíveis de continuar. Nem toda a lagarta dá borboleta.
Mas, será que enquanto amantes, não cortamos relações pelo simples facto de a nossa cabeça estar formatada para tudo ter um fim?
E se afinal nada tiver um fim?
E se no meio de todos estes anos de evolução, o ser humano acrescentando saber à capacidade de lidar com os seus sentimentos, estiver simplesmente a errar e a perder amores séculos após séculos?

Afinal, até onde o cosmos nos molda a mente? Afinal, até onde a nossa mente somos nós? Até onde as nossas escolhas são válidas? Até que ponto estará o ser humano certo quanto ao amor ter (sempre) um fim?

terça-feira, 4 de junho de 2013

Passos

Largos e pequenos.
Rápidos e vagarosos.
Começam de muito menos,
Inconsequentes, jocosos.

Trapaceiam-se atordoados,
Na posse de quem não os conhece.
Sapateado infantil sem sapatos,
Tormentos de quem os tece.

Gozo de mil espectadores,
Da ignorância dos adultos:
A beleza desses momentos construtores,
Nos ladrilhos, esses mil tumultos!

Os passos deixam  de ser quem são,
Criam-se na constante obstinação,
Dos obstáculos na sua dimensão,
Os passos deixam de ser quem são.

A inocência dos primeiros passos,
Rejeita a beleza da sua simplicidade.
A inocência dos primeiros passos,
Perde-se na idade.

A vida é mais bonita no vulgar significado,
De que os passos são passos no chão.
A vida é mais bonita no vulgar significado,
De que os passos nunca sofrerão.

Urge ler a simplicidade da vida na ignorância da primeira vez.
De quando caímos e choramos.
De quando rimos e saltamos.
Mantendo-te criança nos passos do que lês.